Empatia: uma habilidade valiosa

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empatia: habilidade valiosa

empatia: habilidade valiosa

Empatia : uma habilidade valiosa

                              Ana Claudia Alleotti

 

Empatia é um termo caro à Ecopsicologia. O dicionário define como a faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.) e a capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela. É a capacidade de sentir o que o outro sente se colocando no lugar desse outro. É a conexão com o outro que permite compreender e conhecer esse outro.

O termo alemão Einfühlungsvermögen, usado por Robert Vischer, em uma dissertação de 1873 no campo da estética, significa “sentir dentro” e fazia referência à relação do observador com a obra de arte. O filósofo alemão Theodore Lipps, buscando compreender as razões pelas quais a arte nos afeta com tanta força acabou fazendo uso desse termo para explicar suas conclusões. Ele elaborou a hipótese de que o poder das obras de arte sobre alguém não residia na obra de arte em si, mas na síntese que o observador fazia dela no próprio ato da observação. Para ele, seria como se o observador entrasse na obra e a sentisse dentro dele mesmo.

O psicólogo britânico Edward Titchener traduziu o termo para o inglês como “empathy”, derivando-o do grego empatheia – en pathos, estar com o sentimento dentro – e este acabou por dominar o campo.

Os psicólogos da época incluiram a empatia entre as habilidades humanas a serem estudadas.

A empatia é considerada pela ciência como uma habilidade socioemocional, com componentes afetivos e cognitivos que está presente em diferentes graus nos seres humanos. Pesquisas relacionam a capacidade empática com o sistema límbico e suas conexões com o córtex pré-frontal. Dessa forma, um grau de empatia estaria presente desde muito cedo nos seres humanos e conforme outras estruturas cerebrais e circuitos neuronais foram se desenvolvendo, a empatia primitiva foi adquirindo novos elementos cognitivos, propiciando “uma experimentação em conjunto com uma consciência social mais desenvolvida”. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Empatia)

Basicamente, empatia é estar em ressonância com o outro.

A capacidade empática pode ser mais visível nos povos antigos. As culturas humanas desenvolveram uma habilidade fantástica de “estar dentro” do outro e, além de estabelecer trocas sensoriais e emocionais, poder aprender com esse outro. Observar a natureza e senti-la dentro tornou possível aos povos ancestrais construir um conhecimento riquíssimo sobre métodos de cura, quando através da empatia era possível entrar em sinergia com um elemento natural outro e intuir suas qualidades. E quando um sacerdote no Egito Antigo ou quando um pajé das terras brasileiras estava identificado durante um ritual com algum animal, eles estavam exercendo profundamente a capacidade empática e vivendo “dentro” as qualidades inerentes do animal.

Por isso, a empatia faz parte da herança genética e espiritual da humanidade. Ainda que não tenhamos consciência da relação empática que temos com os outros, ela atua em nós em níveis profundos. Hoje parece que esta capacidade empática ficou mais reduzida e quando conseguimos sentir empatia conscientemente é mais usual o fazermos em relação àquilo que nós é conhecido: outro ser humano ou nosso animal de estimação, por exemplo. Mas existem cada vez mais estudos mostrando, por exemplo, as consequências em termos psicológicos da destruição ambiental do planeta em que vivemos. Ainda que conscientemente uma pessoa possa viver como se isso não a afetasse, os altos índices de depressão, ansiedade e somatizações associadas com esta temática apontam para a presença da empatia atuando em níveis não conscientizados.

Para os Ecopsicólogos, a empatia é uma habilidade que promove o respeito, o desejo de partilha e a responsabilidade pelo mundo em que se vive na companhia de outros seres. Para a Ecopsicologia, por estar associada com  a inteligência emocional, a empatia pode ser desenvolvida, aperfeiçoada e treinada.

O reconhecimento da empatia em cada um e o treino desta habilidade inata é sempre contemplada nos processos e percursos terapêuticos que têm a Ecopsicologia como base conceitual e técnica.

  “Para observar com empatia vê-se não apenas com os olhos, mas com a pele”

Rachel Corbett

Ana Pardês
Ana Pardês
Coordenadora de Pardês Ecopsicologia - Centro de Crescimento Pessoal Psicóloga. Ecopsicóloga.